quarta-feira, 28 de julho de 2010

04h53

E foi mirando o guarda-roupa àquela altura da madrugada que ela percebeu que sua vida estava vazia desorganizada havia muito tempo. Há anos ela removera daquele móvel alguns detalhes que a desagradavam. A cola dos detalhes permanecera lá desde então, hoje amareladas e escurecidas.

– Eu deveria remover aquela cola. Há tempos que isso continua aí... – considerou por um instante – Toda uma vida! – suspirou.

– Como se você fosse mesmo mudar esta situação agora... – debochou seu alter-ego.

– E por que não? – questionou, um pouco irritada.

– Oras, como? Há anos que esta cola escurece no seu armário, bem como mofam suas bagunças escondidas nas gavetas e as teias de aranha reinam atrás destes seus móveis.

Ela passou os olhos rapidamente por cada objeto disposto em seu quarto. Baixou os olhos, suspirou e nada disse. As vozes na sua cabeça também permaneceram em silêncio por um instante, pois sabiam que a menina compreendia do que se tratava aquilo tudo.

– Eu não preciso dizer, não é? – e uma das vozes quebrava o silêncio crítico.

– É, não precisa. – ela nem interrompeu seus pensamentos para responder.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Sadismo não sexual

Hoje eu me senti extremamente feliz com a desgraça alheia. Extremamente eufórica, de um jeito assustador! Tudo bem que o "alheio", neste caso, é uma das pessoas mais FDP que eu já conheci na vida, mas ainda assim é estranho esse sentimento.
Meu ex-professor foi demitido de todos os cargos que ocupava, tanto no hospital-escola quanto na universidade e, ao saber desta notícia, a minha vontade era de chutá-lo no chão e cuspir em cima. Nenhum pingo de empatia, simpatia ou qualquer outra emoção benevolente; só o puro sadismo. Vontade de apontar-lhe o dedo na cara e vomitar umas boas dúzias de verdades e palavrões. De enfiar o dedo na ferida e pressionar até fazê-lo chorar. Até fogos eu soltaria, se tivesse! Eu não me cabia de tanta felicidade! Assusta, não assusta?
Assusta porque é impressionante notar o quanto podemos ser humanos (denotando imperfeição aqui, que fique bem claro) frente à determinadas situações. Eu juro que, no geral, tento ser mais humana (note que aqui o sentido é o contrário)! Sei que não tenho vocação para Madre Teresa, mas pelo menos gosto de escutar, tentar ajudar, confortar e alguns outros verbos bondosos no infinitivo. Então um fato como esse acontece e tudo o que eu sinto é vontade de me despir de qualquer escrúpulo e marginalizar!
Eu até acredito ter motivos suficientes que justifiquem tais sentimentos, mas "conflituo" (se é que esta conjugação existe) em perceber que é humanamente impossível ser 100% boa. Aliás, deve ser um tanto quanto chato ser tipo o Gandhi, por exemplo. Ficar perambulando por aí de fraldinha, semi-nu, pagando de bebezão e sendo bom e pacifista o tempo todo...
A verdade é que às vezes nem mesmo sei o quão boa eu quero ser... Sei somente que hoje me senti muito bem manifestando minha opinião contra os que defendem esse ex-professor como sendo um injustiçado. É um pouco como "fazer justiça com as próprias mãos"... E é revigorante!


Em tempo: Homem diverte-se mais com desgraça alheia que mulher, diz estudo.
Em tempo²: O template no meu blog tá um lixo.