E foi mirando o guarda-roupa àquela altura da madrugada que ela percebeu que sua vida estava vazia desorganizada havia muito tempo. Há anos ela removera daquele móvel alguns detalhes que a desagradavam. A cola dos detalhes permanecera lá desde então, hoje amareladas e escurecidas.
– Eu deveria remover aquela cola. Há tempos que isso continua aí... – considerou por um instante – Toda uma vida! – suspirou.
– Como se você fosse mesmo mudar esta situação agora... – debochou seu alter-ego.
– E por que não? – questionou, um pouco irritada.
– Oras, como? Há anos que esta cola escurece no seu armário, bem como mofam suas bagunças escondidas nas gavetas e as teias de aranha reinam atrás destes seus móveis.
Ela passou os olhos rapidamente por cada objeto disposto em seu quarto. Baixou os olhos, suspirou e nada disse. As vozes na sua cabeça também permaneceram em silêncio por um instante, pois sabiam que a menina compreendia do que se tratava aquilo tudo.
– Eu não preciso dizer, não é? – e uma das vozes quebrava o silêncio crítico.

Nenhum comentário:
Postar um comentário